Mitos e verdades

1)Epilepsia é uma doença contagiosa?
Não. A epilepsia não é contagiosa. A epilepsia ou tem origem genética ou pode ser adquirida em qualquer momento da vida por causa de alguma lesão no cérebro.

2) A "baba" transmite a doença?
Não. A "baba" é apenas saliva produzia em excesso. Novamente, é importante ressaltar que a epilepsia NÃO é doença contagiosa.

3) Quem tem epilepsia pode dirigir? Por quê?
Há dois casos:

  • Pessoas que têm crises NÃO podem dirigir, porque as crises são imprevisíveis e podem acontecer enquanto a pessoa está dirigindo.
  • Pessoas que têm crises controladas há mais de um ano podem obter carteira de habilitação para carros de passeio e para uso pessoal, conforme o código do DETRAM.

4) Quem tem epilepsia pode praticar esportes?
Sim. E não só podem como devem. A atividade física traz benefícios físicos, mentais e sociais.

5) Quais esportes não podem ser praticados por pessoas com epilepsia?
A escolha da modalidade esportiva depende do caso. Se a pessoa tem crises controladas, a princípio, não há restrições. Se a pessoa tem crises não controladas, os riscos de ter uma crise durante a prática da atividade esportiva devem ser levados em conta. A seguir, apresentamos uma tabela com restrições relativas às atividades esportivas não recomendadas ou totalmente contraindicadas a pacientes com epilepsia.

Contra-indicação Absoluta

  • Paraquedismo
  • Asa delta
  • Alpinismo
  • Escaladas
  • Mergulho submarino
  • Natação competitiva em crianças com crise de ausência

Contra-indicação Relativa

  • Arco e flecha
  • Tiro
  • Ciclismo competitivo para crianças com crise de ausência
  • Natação
  • Surfe
  • Esportes motorizados
  • Ginástica olímpica

6) Quem tem epilepsia pode ingerir bebida alcoólica? Por quê?
Sim, mas em pequenas doses. Isso porque os excessos de álcool podem piorar a condição de saúde da pessoa com epilepsia. É importante lembrar que, embora amplamente aceito na sociedade brasileira, o álcool é uma droga que pode trazer inúmeros malefícios físicos, mentais e sociais. Por isso, deve sempre ser ingerido com moderação, principalmente por pessoas com epilepsia.

7) Deve-se fazer pausa na medicação antiepiléptica para ingerir bebidas alcoólicas?
Não. Deve-se manter o uso da medicação antiepiléptica mesmo ao ingerir bebida alcoólica. A bebida alcoólica é fator que desencadeia crises epilépticas. Se for feita pausa na medicação antiepiléptica, os níveis do remédio no sangue diminuirão, o que também facilita a ocorrência de crises epilépticas. Assim, o uso de bebida alcoólica e a pausa na medicação antiepiléptica só vão aumentar a possibilidade de se ter uma crise. Por isso, a medicação antiepiléptica NUNCA se deve interrompida para ingestão de bebidas alcoólicas.

8) Nos estudos, deve-se contar aos professores e à direção da escola que o filho/que a própria pessoa tem epilepsia?
Sim. É muito importante avisar os profissionais de educação sobre a doença. Dessa maneira, esses profissionais poderão oferecer ajuda apropriada em caso de crises epilépticas que venham a ocorrer no estabelecimento de ensino. As escolas devem estar preparadas para lidar com epilepsia de forma inclusiva e incentivar a educação de todas as crianças para que aprendam a conviver com as diferenças. É comum, no entanto, esses profissionais da área de educação desconhecerem a doença e maneiras de ajudar durante uma crise. Por isso, muitas vezes será necessário informar o diretor e professor sobre como agir e incentivá-los a aprenderem mais sobre a doença. Se no estabelecimento de ensino não souberem lidar com a doença, peça aos professores e diretores para olhar este site e se informarem sobre como devem agir.

9) Existem profissões proibidas para quem tem epilepsia? Por quê?
Algumas profissões devem ser evitadas. Segundo o Ministério do Trabalho, as principais são: operação de máquinas pesadas, trabalhar em alturas e motorista de caminhão ou de ônibus. Em alguns raros casos de epilepsia mais grave, chega a ser necessária aposentadoria por invalidez. O olhar, no entanto, deve ser direcionado para aquilo que você pode fazer. Atualmente, há inúmeras possibilidades profissionais. Lembre-se de que as limitações existem para todos, seja de forma mais ou menos acentuada. Cabe a cada um buscar desenvolver as suas habilidades plenamente. Para isso, o passo inicial é a educação. A doença não impede você de estudar. Estude, qualifique-se e persista.

10) Ter crise convulsiva significa, necessariamente, que a pessoa tem epilepsia?
Não. As crises convulsivas podem ocorrer em pessoas que não têm epilepsia. Nesses casos, geralmente são causadas por alterações metabólicas ou intoxicações.

11) A crise epiléptica pode ocorrer durante o sono?
Sim. As crises podem ocorrer normalmente durante o sono. Há, até, alguns tipos de epilepsia em que as crises só ocorrem durante o sono.

12) O sonambulismo é um tipo de epilepsia?
Não. O sonambulismo é um tipo de distúrbio do sono. Há casos de epilepsia que podem se parecer com o sonambulismo. Por isso, se a pessoa apresentar casos que se assemelhem ao sonambulismo, é importante consultar um médico.

13) O estresse influencia a ocorrência de crises?
Sim. Em pessoas com epilepsia, o estresse é um fator que pode desencadear crises.

14) O estresse causa epilepsia?
Não. O estresse somente facilita a ocorrência de crises epilépticas quando a pessoa já tem epilepsia.

15) A pessoa sempre perde a consciência durante as crises epilépticas?
Não. Há crises parciais simples durante as quais a pessoa não perde a consciência, podendo se comunicar normalmente.

16) Deve-se segurar a língua da pessoa durante crise epiléptica?
Não. Ao fazer isso, você corre o risco de machucar a boca da pessoa ou de ter seu dedo mordido, com a possibilidade de amputação.

17) A língua pode ser engolida durante a crise epiléptica?
Não. A língua é um músculo e apenas fica endurecida durante a crise, assim como os outros músculos do corpo. Por isso, não há nenhuma possibilidade de ser engolida.

18) Deve-se colocar algum objeto na boca da pessoa em crise, para que ela não morda sua língua?
Não. Ao fazer isso, você corre o risco de machucar a boca da pessoa ou de quebrar os dentes ou a mandíbula dela. Se a pessoa morder a língua durante a crise, o corte cicatrizará em 1 ou 2 dias.

19) Deve-se jogar água no rosto da pessoa durante crise epiléptica?
Não. A água não vai interromper a crise epiléptica. Além de não trazer qualquer benefício, jogando água, você pode fazer a pessoa se engasgar ou até se afogar.

20) Deve-se bater no rosto da pessoa em crise epiléptica?
Não. Bater no rosto da pessoa não vai interromper a crise epiléptica. Bater no rosto apenas irá machucar a pessoa.

21) Se eu der a medicação para a pessoa durante a crise epiléptica, a crise será interrompida?
Não. A medicação não faz efeito na hora em que é tomada. Além disso, a pessoa poderá se engasgar com o medicamento. É o uso contínuo da medicação que conseguirá evitar as crises.

22) Devo prender os braços e as pernas da pessoa em crise epiléptica?
Não. Na realidade, segurar os braços ou as pernas poderá causar fraturas de ossos da pessoa.

23) Os remédios anticonvulsivantes causam dependência?
Não. Eles podem ser deixados a qualquer momento, sob orientação médica.

24) Posso tomar a medicação antiepiléptica sem antes ter ingerido algum alimento, de estômago vazio?
Depende. Algumas medicações antiepilépticas podem causar reações estomacais, como náuseas e vômitos. Deve-se consultar o médico sobre como tomar o medicamento.

25) Deve-se continuar usando a medicação antiepiléptica durante a gravidez?
Sim. Mas o médico deverá ser consultado para eventuais casos de necessidade de mudança no tratamento para evitar má-formação do bebê. Para mais informações, ler o tópico "MULHERES".

26) A medicação antiepiléptica interfere em outras medicações?
Sim. Por isso é muito importante informar o médico sobre o uso de medicações antiepilépticas em caso de necessidade de prescrição de remédio para outras doenças.

27) A medicação antiepiléptica deve ser tomada pelo resto da vida?
Depende. O médico é que deverá avaliar como proceder em cada caso.